Há três meses postei aqui sobre a ESAA, Event Sourcing para Agentes Autônomos: a ideia de que um agente de IA não deveria escrever direto no seu projeto, e sim emitir intenções validadas que um orquestrador determinístico persiste num log append-only, com o estado reconstruído por projeção verificável.
A pergunta que eu não esperava ter que responder era esta: o que acontece com uma arquitetura depois que você publica e segue a vida?
Na maioria das vezes, nada. O paper é lido, talvez citado, e morre na prateleira. Resolvi ir atrás de onde a ESAA tinha chegado. O que encontrei me surpreendeu mais do que qualquer número de visualizações.
Pessoas que eu nunca falei começaram a codar a ESAA
Não estou falando de citação acadêmica, falo de código.
- Um pipeline multiagente público declara, no próprio código, “Hub-and-Spoke + ESAA”, e implementa classes de evento e de log do zero: append-only, hash de entrada e saída, replay e exportação de auditoria. Ninguém me pediu nada; alguém leu a ideia e a colocou de pé.
- Projetos externos já carregam arquivos
projecao de roadmap governadocomesaa_version,immutable_done,projection_hasheverify_status: oko modelo operacional inteiro rodando fora do meu repositório. - A ESAA foi catalogada como padrão arquitetural próprio no AgentPatterns.ai, aparece no awesome-agentic-patterns e entrou numa curadoria de 24 papers usados como base de diretrizes de implementação de agentes, na categoria Architecture.
- Um runtime de produção para agentes longos, que defende que “o event log É o agente”, lista a ESAA entre suas referências.
Sejamos honestos sobre o que isso é (e o que não é)
Isso não é “a ESAA já está amplamente adotada”. Seria desonesto vender assim. O volume é pequeno, dá para contar nos dedos quem está mexendo nisso de verdade.
Mas é algo que, para mim, importa mais que volume: validação independente. A diferença entre alguém dar like no seu post e alguém escrever ESAAEvent do zero porque achou que a ideia se sustentava é a diferença entre “interessante” e “correto o suficiente para eu apostar código nisso”. Para um padrão arquitetural, esse é o único teste que conta. E, para minha surpresa, ele passou em escala pequena, mas passou.
O que mudou na prática desde fevereiro
Naquele post, os números eram de dois estudos de caso (a landing page com 49 eventos e o dashboard clínico com 4 LLMs concorrentes e 86 eventos). Desde então a ESAA rodou em produção real, em projetos meus, implementado também para equipes de desevolvimento do Estado de SP, acumulando centenas de eventos e dezenas de tarefas governadas, não mais só prova de conceito.
E houve uma mudança que devo à própria comunidade daqui. Naquela thread, o rfa levantou uma pergunta certeira: e quando a LLM alucina na conversa com o orquestrador? Não entra num loop infinito de rejeição? A resposta curta é que a rejeição é terminal para a tentativa, não um ciclo, o orquestrador falha-fechado e devolve o controle em vez de insistir sozinho, mas a pergunta me fez encarar com mais seriedade os limites de tentativa e os modelos fracos. Foi um comentário de fórum que mexeu no design. Obrigado por isso.
Reparei também que tem gente boa construindo coisas vizinhas aqui mesmo no TabNews, harness de IA, memória cross-agent, redução de contexto. É um espaço que está se formando, e acho que esses projetos se complementam mais do que competem.
Se quiser experimentar
O runtime agora está empacotado e instalável:
pip install --pre esaa-core
Repositório (com Discussions abertas e algumas issues marcadas como good first issue, caso queira contribuir): github.com/elzobrito/esaa-core
Paper: arxiv.org/abs/2602.23193
A pergunta que deixo para vocês é a mesma de três meses atrás, mas agora com mais bagagem: quem aqui está rodando agentes em pipeline real conseguiria provar, hoje, o que um agente alterou, quando e por quê? Se a resposta é “não”, que mecanismo você usaria para mudar isso e por que ainda não usa?
Nota de migracao
Este artigo foi migrado do TabNews em 2026-07-12 para compor o acervo publico do hub. A data original foi preservada e a fonte segue registrada abaixo. Conteudos sobre ferramentas, modelos, seguranca e infraestrutura podem envelhecer; valide referencias atuais antes de usar como decisao operacional.
Fonte original: https://www.tabnews.com.br/elzobrito/esaa-3-meses-depois-o-que-aconteceu-quando-outras-pessoas-comecaram-a-implementar